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Neem faz mal para abelhas?

Se o Neem tem efeito sobre os insetos, como é o efeito sobre as abelhas?

O Neem foi introduzido no Brasil com o objetivo principal de sombra, já que permanece verde por todo o ano, mas após o acompanhamento de crescimento, ele foi introduzido em larga escala em propriedades rurais visando a produção de madeira, pois tem crescimento rápido e produz madeira de excelente qualidade.  Mas, o principal motivo de implantação no Neem no Brasil foi o objetivo de estudar os seus princípios tóxicos que lhes dão o caráter fungicida, acaricida, inseticida como uma forma alternativa e natural de manter o “maior celeiro do mundo” e diminuir o consumo de agrotóxicos, já que  Brasil é o maior consumidor no mundo!

Em média, o Brasileiro consome 7 litros de veneno por ano. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima em 20 mil mortes ao ano devido à manipulação e consumo direto de defensivos agrícolas. Então, a melhor alternativa seria o consumo de produtos orgânicos. Mas, como controlar as pragas agrícolas e florestais e produzir alimentos de forma orgânica?

Em primeiro lugar, evitara a monocultura e fazer o Manejo Integrado de Pragas (MIP). Em segundo lugar, buscar produtos naturais para poder eliminar as pragas sem afetar a saúde do mamíferos.

Os produtos à base de neem são conhecidos pela sua eficiência e baixa toxicidade ao homem e ao meio ambiente. Várias formulações foram testadas e não apresentaram efeitos tóxicos em mamíferos (GOVINDACHARI et al., 2000; SCHMUTTERER, 1990).

Entretanto, já comentamos anteriormente sobre a ação do Neem nos insetos. Então, surgem algumas dúvidas:

  1. O Neem prejudica nossa mata nativa?
  2. O Neem afeta os insetos polinizadores?
  3. O Neem faz mal para as abelhas?

 

  1. Para a introdução de qualquer especie exótica, ou seja, não natural do Brasil, é preciso de muito estudo e autorização do IBAMA. Os plantios comerciais são acompanhados por Engenheiros Florestais para que exista a harmonia entre a natureza e a produção comercial das florestas plantadas. Se assim for feito, não há interferência pois todas as condições são programadas e acompanhadas diariamente. Mas, se o plantio for completamente desorientado e desenfreado, como aconteceu no Nordeste, o Neem ou qualquer outra especie exótica torna-se um problema à regeneração da floresta nativa!
  2. As flores de Neem (diferente do óleo de neem) exalam um odor suave e doce para atrair polinizadores. Toda planta apresenta flores e a maioria das flores é bissexuada, apresentando antera (parte masculina) e estigma (parte feminina) em uma única flor. Com isso, a flor conta com a ajuda da natureza, através dos polinizadores e até do vento para que a parte feminina possa ser fecundada e gerar o fruto. As flores de Neem não afetam os insetos polinizadores pois a própria planta precisa da ajudinha delas.
  3. O NEEM NÃO FAZ MAL ÀS ABELHAS. Lembrando apenas que, as abelhas listradas (amarela e preto) são abelhas exóticas e forma introduzidas no Brasil para a apicultura e são chamadas de Appis mellifera. As abelhas nativas buscam alimentam nativos como preferência, por isso, da importância do cuidado de nossa floresta! Trabalhos mostraram que o neem pode ser usado também em benefício da apicultura. Vários estudos buscam alternativas para o combate a pragas das abelhas melíferas como a traça-da-cera (Galleria mellonella), ácaros e doenças das crias. Os ácaros-de-traqueia (Acarapis woodii) que parasitam A. mellifera
    também foram controlados através do Neem.

Em um estudo da EMBRAPA, o Neem, apesar da confirmação de suas propriedades inseticidas, mostrou-se  uma planta benéfica para a apicultura, pois promoveu um aumento na postura da rainha de tal forma que gerou
um saldo positivo na quantidade de crias das colônias. Nas condições do Bioma Caatinga, local onde houve plantio descontrolado de Neem, existe a ressalva da necessidade de cuidado e manejo florestal pois o Neem pode não afetar as abelhas mas sim o bioma nativo que precisa de muito cuidado para poder regenerar-se.

Referências
AKCA, I.; TUNCER, C.; GÜLER, A.; SARUHAN, I. Residual toxicity of 8 different insectides on honey bee (Apis mellifera Hymenoptera: Apidae). Journal of Animal and Veterinary Advances, v. 8. n. 3. p. 436–440, 2009. Disponível em :<http://medwelljournals.com/fulltext/ java/ 2009/436-440.pdf>. Acesso em: 4 jan. 2010.
ALVES, J. E. Toxicidade do nim (Azadirachta indica A. Juss.: Meliaceae) para Apis mellifera e sua importância apícola na Caatinga e mata litorânea cearense. 2010. 138f . Tese (Doutorado em Zootecnia) – Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, CABONI, P.; CABRAS, M.; ANGIONI, A.; RUSSO, M.; CABRAS, P. Persistence of azadirachtion residues on olives after treatment. Journal of Agricultural and Food Chemistry, Davis, v. 50, n. 12, p. 3.491-3.494, 2002.

 

Efeito do Nim (Azadirachta indica) para as Abelhas Africanizadas (Apis mellifera) – EMBRAPA, 2010.

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